Tudo sobre a Bicheira em Cães e Gatos: Prevenção, Cuidados, Tratamento e Perigos

Hoje falamos sobre bicheira (miíase).

Quem possui animal de estimação já deve saber que terá que aprender a lidar com uma série de doenças e problemas relacionados à saúde e ao bem-estar deles.

Isso faz parte da vida de qualquer tutor, mesmo dentre os animais mais saudáveis.

Algumas doenças são mais graves, e requerem vacinação. Outras já são bastante comuns, e apenas alguns cuidados fazem parte do seu tratamento e prevenção.

É o caso da miíase (também conhecida como bicheira) em cães e gatos.

A bicheira em cães e gatos é uma doença tão popular que afeta milhares de animais todos os anos.

Sendo caracterizada por uma uma infestação na pele por larvas de mosca, mais precisamente, a mosca varejeira.

Normalmente, a doença ocorre em qualquer tipo de animal mamífero, mas mais frequentemente em:

  • Cães abandonados nas ruas;
  • Cães que vivem em condições péssimas de higiene;
  • Cães idosos ou doentes que não conseguem cuidar de sua higiene. 

A infestação se dá pelo depósito de ovos por moscas em feridas expostas na pele do cachorro, que se tornam o “habitat” perfeito para a reprodução das larvas desses parasitas.

Essas larvas se desenvolvem no tecido subcutâneo do animal, e caso o dono não identifique a tempo de tratar a doença, as consequências podem ser bem ruins.

larvas da bicheira

Além dos incômodos causados ao animal como coceira e dor, o grande risco é se esses vermes atingirem órgãos vitais, como o cérebro, podendo levar o cão a óbito.

Portanto, se você tem um cachorro ou gato e preza pela saúde o bem-estar deles, é importante estar sempre informado.

Até o fim do artigo, você vai aprender mais sobre a doença, suas causas, sintomas e tratamentos.

Não perca.

O que é Bicheira em Cães/Gatos?

A bicheira ou miíase é uma doença parasitária que pode ocorrer tanto na pele dos cachorros e gatos como também de outros bichos de sangue quente.

Normalmente, é o tipo de doença que ocorre através do depósito de ovos de moscas em feridas abertas na pele do animal.

Esses ovos se tornam larvas que, mais tarde se reproduzem dando origem a vermes que se alimentam do tecido vivo da pele do animal.

Esses vermes, enquanto se alimentam, ainda produzem uma enzima que vai danificando ainda mais a pele do cachorro.

Embora a lesão fique concentrada na pele, há um grande risco deles adentrarem os tecidos mais profundamente e infectar órgãos vitais.

Quais as Causas da Bicheira em Cães?

A bicheira é uma doença transmitida pela mosca varejeira (Cochliomyia hominivorax).

Ela deposita suas larvas no tecido subcutâneo dos seus hospedeiros.

Geralmente em ferimentos expostos ou feridas abertas que lhes permite entrar nos tecidos da pele.

Essas larvas são parasitas obrigatórios de animais de sangue quente, como os mamíferos. Inclusive o ser humano e bovinos.

As feridas nem precisam ser grandes lesões.

Muitas vezes até são pequenas, causadas por lambidas excessivas, um corte em alguma planta, uma briga ou pela unha do próprio cão/gato ao se coçar.

Normalmente, a bicheira nos cães e gatos sempre ocorre em locais onde eles não alcançam a língua para lamber.

mosca transmissora da miíase

Mosca Transmissora da Miíase

Do contrário, apenas uma lambida poderia eliminar os ovos evitando que as larvas nascessem.

Essas larvas ao nascer são pequenas.

Mas vão se alimentando da carne viva do ferimento, aumentando rapidamente de tamanho, à medida que vão crescendo e acarretando lesões muito graves.

Como se alimentam de tecido, vão aprofundando cada vez mais o ferimento na pele, provocando enormes buracos abertos.

Quanto maior vai ficando o ferimento, mais visível e exposto ele fica para que outras moscas também venham depositar seus ovos.

Em casos mais graves, estas lesões podem culminar na amputação do membro, dependendo do local.

Ou levar ao óbito do animal, caso os parasitas migrem para órgãos vitais, como o cérebro.

Classificação da Miíase ou Bicheira

Dependendo do local onde há ferimentos, as larvas não costumam se espalhar pelo corpo.

Mas tendem a escavar a pele e migrar para locais mais profundos, atingindo assim outros tecidos além da pele.

Mesmo assim, a afecção do parasita pode ocorrer tanto nos tecidos, como já descrevemos, como nas cavidades do corpo do animal.

Várias espécies de moscas podem causar a bicheira ou miíase.

Ao contrário da berne, em que é depositada apenas uma larva por mosca, a mosca transmissora da bicheira (mosca varejeira), deposita vários ovos de uma vez na lesão.

No entanto, as afecções são separadas em duas categorias:

Miíase primária ou Biontófagas

Quando a mosca invasora hematófaga (como a mosca varejeira) deposita seus ovos no tecido vivo sadio, sem que o animal esteja ferido.

Eles posteriormente invadem o tecido sadio e se desenvolvem na forma de larvas, ocasionando a “bicheira”, podendo ser migratória ou furunculoide.

Nessa categoria, estão as espécies de insetos callitroga americana, dermatobia hominis e oestrus ovis.

Miíase secundária ou Necrobiontófagas

Quando a mosca, em geral do tipo não parasitário, deposita suas larvas nos tecidos com feridas, ulcerações ou já necrosados.

Tais larvas se desenvolvem em virtude da necrose tecidual, se alimentando do tecido morto, em decomposição.

Os ferimentos caracterizam-se por um macerado, fístulas e úlceras, onde é possível enxergar grandes quantidades de larvas.

Os olhos e o cérebro também podem ser afetados quando a infecção é feita por uma larva migratória, que atinge primeiramente os ouvidos ou os olhos.

A miíase secundária pode ser cutânea, cavitária ou intestinal.

As moscas deste grupo são: licilia, sarcophaga, phaenicia, calliphora, musca, mucina e fannia.

Além disso, o ciclo constante de ovos, larvas e moscas impede a regeneração dos tecidos e a sua cicatrização natural, tornando cada vez mais difícil a cura e a recuperação.

Ainda assim, existem outras classificações para doença, dependendo do local em que as larvas estão concentradas, são elas:

Miíase cutânea

Um tipo de bicheira que forma lesões semelhantes aos furúnculos na superfície da pele, popularmente conhecida como Miíase furuncolosa.

Miíase cavitária

Um tipo de bicheira mais ampla, que migra para outros tecidos.

Subdividida de acordo com a sua localização:

Miíase de feridas, a mais comum; a Miíase intestinal quando no intestino; a Otomiíase nos ouvidos; a Nasomiíase no nariz ou focinho; a Oftalmiíase nos olhos; e a Cistomiíase na bexiga.

Sintomas da Bicheira em Cães

Geralmente, o ferimento causado pelas larvas da bicheira apresenta aparência redonda com cerca de 1,5cm de diâmetro, antes de começar a se expandir.

Podendo conter até mais de 100 larvas.

Em estágio avançado, é possível enxergar a movimentação das larvas da bicheira dentro do ferimento se alimentando da carne do animal.

O ferimento também costuma apresentar secreção líquida, com odor desagradável.

Dentre os sintomas que o cachorro com bicheira pode apresentar, podemos citar:

  • Febre;
  • Dor;
  • Diarreia;
  • Falta de apetite;
  • Furúnculos;
  • Úlceras;
  • Coceira;
  • Dificuldade para se mover ou andar;
  • Inchaços subcutâneos firmes e distulados.

Diagnóstico da Bicheira

Normalmente a bicheira acomete os animais que costumam ficar largados fora de casa, no quintal ou na rua, sem os cuidados necessários.

Embora possa ocorrer com qualquer tipo de animal.

Principalmente em animais feridos ou idosos, que costuma ter mais lesões na pele e já não possuem a mesma mobilidade para fazer a própria higiene através da lambedura de seus ferimentos.

O veterinário irá diagnosticar a bicheira através de um exame clínico para examinar a pele do cachorro e verificar a presença de larvas.

No entanto, o veterinário também poderá pedir uma análise completa para garantir que não ocorreram maiores danos internos.

Tratamento da Bicheira em Cães

A bicheira tem cura.

Mas é preciso se conscientizar de que apesar de ser um problema muito comum e simples de tratar, quando não diagnosticado e tratado logo no início, pode se complicar bastante.

Isso porque a sua evolução é bem rápida.

Podendo causar sérias lesões ao tecido, levando a necessidade de amputar o membro atingido ou até mesmo levar o cachorro ou o gato ao óbito.

Por isso, não espere muito tempo até levar o seu animal ao veterinário.

Lembre-se que é muito arriscado diagnosticar um problema de saúde e tratar em casa, sem a opinião de um especialista.

Nem tente soluções alternativas, muito menos receitas caseiras milagrosas.

Nunca use produtos químicos em lesões que não sejam próprios para uso veterinário ou que não foram prescritos pelo seu médico veterinário de confiança.

NÃO FAÇA ISSO! ⚠️

Tem gente que acredita que o óleo queimado ou a creolina são eficientes no tratamento da bicheira.

No entanto isso NÃO é verdade!

Muitos “tratamentos” caseiros podem intoxicar o cachorro e piorar ainda mais o estado de saúde dele.

Ao notar qualquer sintoma ou comportamento diferente no seu animal, leve ao seu veterinário de confiança com urgência.

Como Tratar a Bicheira no Veterinário

Como já dissemos, o ferimento com bicheira costuma ter aproximadamente 1,5 cm de diâmetro antes de começar a se expandir.

Mesmo assim, essa pequena abertura pode conter até mais de 100 larvas.

O ideal é que o ferimento seja tratado pelo veterinário.

De forma que ele possui todos os instrumentos necessários, além da sua prática em lidar com o animal nessa situação.

Além disso, a maioria dos cães possuem uma certa tolerância à dor.

Mas muitas lesões são dolorosas, por isso o veterinário terá condições de aplicar um anestésico no local para aliviar a dor e facilitar a remoção das larvas.

Existem casos em que o animal precisa estar sedado ou até anestesiado.

No caso da bicheira, o veterinário irá separar os ferimentos e o tecido necrosado para serem removidos.

Ele fará o procedimento de extração das larvas.

Depois irá lavar as feridas com uma solução própria e o proprietário deverá continuar o tratamento em casa, lavando as feridas 2 vezes por dia até curar completamente (ou conforme recomendação médica).

Pode ser necessário o uso do colar para que o cão não lamba o machucado.

Antibióticos injetáveis ou por via oral também poderão ser receitados pelo veterinário para serem administrados em casa.

Quando Há Maior Incidência de Bicheira?

Acredita-se, que a maior incidência de casos de bicheiras seja em períodos chuvosos e em temperaturas mais altas.

Sendo muito comum no verão e primavera.

Isso porque são períodos mais chuvosos e o ciclo das moscas fica mais rápido.

No entanto, existem casos em todas as épocas do ano.

A doença também é mais frequente em locais com muitos animais ou com muita vegetação, pois isso atrai mais moscas.

O problema é muito mais comum em umbigos de recém nascidos, animais após a castração, além de animais que sofreram traumas que venham a formar feridas.

Por isso, em casos como esses, fique atento aos sinais: uma ferida aberta com mau cheiro, sangramento e larvas.

O animal fica com vitalidade diminuída e a contaminação dos ferimentos pode ser purulenta, piorando ainda mais o estado clínico do animal.

Como Prevenir a Bicheira: 12 Dicas Práticas para Aplicar

Para evitar que as moscas saiam por aí depositando ovos na pele dos cachorros, fazendo-os de hospedeiros de suas larvas, e causando a bicheira é necessário mantê-las longe deles e de nossos ambientes.

A melhor maneira de evitar doenças é sempre a prevenção tomando simples cuidados que farão toda a diferença.

Confira agora alguns dos principais meios de prevenção:

  • Monitore de perto o cachorro após procedimentos cirúrgicos ou ferimentos, mesmo que pequenos;
  • Proteja a região em que ele costuma ficar e não deixe o cachorro exposto em ambientes que podem ter moscas;
  • Mantenha a pele do cachorro sempre limpa, sem mau cheiro, especialmente se ele tiver muitas dobras;
  • Não deixe acumular fezes do cachorro e sujeira;
  • Lave a varanda e quintal diariamente, removendo a urina e o mau cheiro (aqui você confere uma lista com removedores de odor);
  • Mantenha o local do cachorro sempre limpo e higienizado;
  • Mantenha o lixo sempre fechado e fora do alcance do cachorro;
  • Borrife óleo de citronela sobre a pelagem do cachorro;
  • Utilize coleiras e sprays anti-moscas, que evitam o contato delas com o animal;
  • Cuide sempre dos machucados, arranhões ou feridas do animal logo no início, fazendo a limpeza, aplicando curativos e repelente;
  • Verifique sempre feridas em sua pele ou cavidades (boca, ouvido, olhos) e trate-as imediatamente, caso encontrar;
  • Observe sempre o seu cachorro analisando qualquer mudança de comportamento, falta de apetite, se parou de beber água ou se apresenta coceira.

Conclusão

A bicheira é uma doença parasitária muito comum que afeta muitos cães e gatos.

Apesar de ter cura e tratamento simples, é essencial tomar medidas preventivas para evitar o aparecimento de moscas, que transmitem a doença para o animal.

É preciso estar sempre atento e ser extremamente cauteloso durante o ano todo.

Especialmente nos períodos de calor intenso e fortes chuvas como no verão, já que as moscas costumam se proliferar mais nestas condições.

Caso o seu cachorro for infestado por bicheira, leve-o ao seu veterinário, antes de iniciar qualquer tratamento que você julga ser o ideal.

Apenas o veterinário saberá avaliar a extensão e gravidade da lesão causada pela bicheira e apenas ele saberá indicar o tratamento correto.

Agora que você já sabe tudo sobre a bicheira e como tratá-la, tome muito cuidado com qualquer ferimento no seu cachorro e garanta a saúde dele o ano inteiro para a vida toda!

Atenção, Tutor!

Por mais bem escrita e detalhada que a matéria venha a ser, ela não substitui uma consulta ao seu veterinário de confiança.

E pior ainda, não tem INTENÇÃO ALGUMA de substituir uma consulta médica ou de indicar quais os melhores produtos para você comprar.

Correções e revisões feitas pela médica veterinária Adriana Rodrigues Fadul, CRMV/SP: 21.048

Tudo sobre a Bicheira em Cães e Gatos: Prevenção, Cuidados, Tratamento e Perigos
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